Odontologia

Postado em:20/11/2020

Fonte: O Estado de S. Paulo - Blog do Fausto Macedo

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O futuro da odontologia social está nas perspectivas e necessidades do paciente

País ainda amarga alguns índices bem incômodos em se tratando da saúde bucal

O Brasil tem atualmente 340 mil cirurgiões-dentistas, o maior número em termos absolutos no mundo. Segundo avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS), estamos entre os três países com os melhores profissionais da área, junto com Estados Unidos e Suécia. Além disso, algumas de nossas universidades que oferecem cursos de Odontologia também figuram entre as melhores. Porém, nosso país amarga alguns índices bem incômodos em se tratando da saúde bucal.

A última Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, do Ministério da Saúde, realizada em 2010, mostra que, aos 28 anos de idade, os brasileiros, em média, já perderam 16% dos dentes. Aos 42, esta proporção chega a 35% e, entre a população de 50 anos, pode superar 50%.

Paralelamente, dados do IBGE apontam que 16 milhões de brasileiros vivem sem nenhum dente e que 41,5% das pessoas com mais de 60 anos já perderam todos.

O caminho para reverter essa situação não é tão simples, pois envolve diversas condicionantes que vão desde fatores econômicos até a facilidade de acesso ao serviço odontológico. Como cirurgião-dentista exerci a prática em clínica odontológica por 20 anos e sempre acompanhei de perto o segmento da Odontologia Suplementar. Esta minha experiência me faz acreditar que existam caminhos viáveis para que os brasileiros possam ter uma melhor saúde bucal e, consequentemente, qualidade de vida e autoestima, algo muito difícil para quem está com a saúde bucal comprometida e, principalmente para quem perdeu todos os dentes. Em muitas áreas as parcerias público-privadas têm se mostrado alternativas vantajosas e com grande impacto social positivo acima de tudo.

Estas parcerias podem ser um caminho para viabilizar o acesso da população aos serviços odontológicos que, embora sejam oferecidos pelo SUS, de maneira descentralizada, não conseguem atender à atual e crescente demanda.

Para entender melhor a relação para ambos (estatal e privado) é importante questionar qual seria o impacto de uma parceria público – privada na odontologia para o usuário atual do sistema público de saúde odontológico. O que mudaria para este cidadão ser atendido por um cirurgião-dentista vinculado ao Estado ou ligado a uma empresa privada? Não seria difícil prever que a rede de profissionais aumentaria para este cidadão, que hoje precisa se deslocar muitas vezes para unidades específicas de atendimento e aguardar pela consulta que pode levar meses para acontecer.

Com parcerias como estas aumentamos a rede de profissionais para o atendimento odontológico, proporcionamos atendimento em clínicas equipadas e completas, além de agilidade na consulta e garantia de qualidade por atendimento prestado. Já para o cirurgião-dentista a mudança implica em aumento de capital de giro, crescimento da rede de pacientes e possibilidade de melhorias no consultório. Grande parte dos profissionais de saúde bucal são hoje também empreendedores, que dependem de volume de pacientes para manter uma estrutura tão cara e que exige tamanho zelo. Proporcionar uma rotatividade maior de pacientes nos consultórios prevê também desenvolvimento econômico e social para a classe de profissionais empreendedores.

A iniciativa privada detém vantagens de gestão que permitem agilidade, eficiência e excelente qualidade a custos mais competitivos que muitas vezes não são capturadas no setor público em razão do peso da máquina e da burocracia.

E o que mudaria para o Sistema Único de Saúde (SUS)? Para entender este cenário, o primeiro passo seria avaliar o gasto feito pelo SUS com o atendimento odontológico.

Para se ter uma ideia, o custo médio de um plano odontológico fica em torno de R$ 19,76 ao mês. Quando contratado para um número grande de beneficiários este custo cai drasticamente. Se analisarmos que dentro deste valor estão inclusos a maior parte dos procedimentos, o Estado estaria atuando também não apenas no tratamento bucal, mas principalmente na prevenção e educação da saúde da boca dos brasileiros. Precisamos discutir melhor os caminhos que poderão desonerar o sistema e, ao mesmo tempo, beneficiar milhões de brasileiros para que um dia possamos conseguir também o título de maior número de cidadãos com uma boa saúde bucal. Desta forma a combinação do setor público e privado pode fornecer às respostas adequadas para a solução da saúde bucal em nosso país.

*Roberto Cury, presidente do Sinog, entidade que representa os planos odontológicos em atuação no país

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