Odontologia

Postado em:05/04/2017

Fonte: Odontologia de Grupo em Revista Nº 23 – Camila Pupo

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O uso de enxaguante tornou-se uma prática comum nos últimos anos, muitas pessoas o utilizam como um complemento na higienização oral e há diversas propagandas que justamente prometem isto

O uso de enxaguante tornou-se uma prática comum nos últimos anos, muitas pessoas o utilizam como um complemento na higienização oral e há diversas propagandas que justamente prometem isto, como se o uso do produto fosse o toque final para uma boca limpa e saudável. O que muitos não sabem, no entanto, é que a utilização indiscriminada pode ser prejudicial.

“Originalmente, os enxaguantes bucais foram criados para atuar como antissépticos em procedimentos cirúrgicos, por isso a fórmula da maioria desses produtos contém álcool ou outra substância que inibe a proliferação de microrganismos, como detergentes e corantes”, esclarece Veridiana Salles Furtado de Oliveira, mestre e doutora em Odontopediatria e professora titular do curso de Odontologia do Centro Universitário Newton Paiva.

Segundo Sandra Kalil Bussadori, professora de Odontopediatria da EAP – Escola de Aperfeiçoamento Profissional da APCD, os antissépticos bucais são indicados em situações específicas para pacientes com gengivite, periodontite, em situações de pós-cirúrgicos bucais, para pessoas com próteses ou aparelhos ortodônticos, entre outros.

Hoje existem diversos tipos de enxaguantes, a oferta nas prateleiras das farmácias e supermercados é grande, mas vale ressaltar que o paciente não deve simplesmente escolher um entre tantos e usar. É preciso que antes ele passe pela avaliação de um profissional, que vai orientá-lo se a utilização é necessária.

Alexandre Bussab, especialista em Implantodontia pela ABO – Associação Brasileira de Odontologia e membro da Sociedade Brasileira de Reabilitação Oral, explica que os enxaguantes infantis contêm apenas flúor e antissépticos e têm a função de ajudar na formação do esmalte do dente, na diminuição da placa bacteriana e saúde da gengiva. Não há problema de o produto ser usado em crianças a partir dos 4 anos, desde que ela saiba fazer bochecho e não engolir o enxaguante, pois, caso ocorra a ingestão, o flúor pode levar ao efeito cumulativo no organismo, a chamada fluorese, que provoca manchas nos dentes.

“Entre os enxaguantes para adultos, os que contêm álcool e clorexidina devemser utilizados com muita cautela, pois eles acabam prejudicando a flora da cavidade oral, responsável por manter o pH da saliva e defesas da boca. Existe também uma categoria do produto que é usada para manutenção do clareamento dental e tem como base o peróxido de hidrogênio que, se utilizado com frequência, pode provocar sensibilidade no colo dos dentes, seja com alimentos quentes ou frios”, alerta Bussab. O uso contínuo e sem orientação do antisséptico bucal traz prejuízos para a boca.

Bussadori explica que os produtos à base de álcool podem matar desnecessariamente parte de uma flora bacteriana importante no equilíbrio do pH da saliva e tingir os tecidos bucais, amarelando os dentes, além de diminuir as papilas degustativas e prejudicar o paladar.

Existe uma vasta discussão na literatura científica sobre os efeitos do uso prolongado de antissépticos bucais com álcool e um possível aumento da prevalência de câncer oral, mas isto ainda requer cuidado na avaliação. Oliveira explica que o enxaguante, em alguns casos, é usado para disfarçar o cheiro do fumo e bebida alcoólica, hábitos que estão diretamente ligados à doença, e o álcool poderia aumentar este risco. Ao contrário do que muitos pensam, o uso do enxaguante não substitui uma escovação completa, pois exerce apenas ação química; para uma boa higienização da boca, com remoção da placa bacteriana, é preciso a remoção mecânica, feita essencialmente pela escova de dente e fio dental.

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