Odontologia

Postado em:29/03/2017

Fonte: Odontologia de Grupo em Revista Nº 13 – Camila Pupo

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Inimigo em casa

A cena costuma ser frequente, uma pessoa com dor vai ao armário de remédios em sua casa e, sem prescrição médica alguma, se automedica em busca de alívio.

De acordo com a Abifarma – Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas, cerca de 80 milhões de pessoas são adeptas da automedicação.

Os remédios têm como princípios sanar, aliviar e/ou curar doenças, entretanto, o uso indiscriminado pode prejudicar severamente a saúde do indivíduo, causando efeitos colaterais.

Infelizmente, a automedicação ainda é comum porque muitos não se atentam aos riscos que isso é capaz de trazer, até mesmo para a saúde bucal. “Assim como em qualquer segmento da saúde, os profissionais da Odontologia percebem efeitos bucais indesejados associados ao uso de recursos e substâncias que prejudicam a higiene da boca, como remédios, drogas e outras substâncias que afetam a normalidade dos tecidos e funcionamento da cavidade oral”, explica Rodrigo Bueno de Moraes, cirurgião-dentista e consultor científico da ABO – Associação Brasileira de Odontologia.

Segundo Pedro Menegasso, farmacêutico e presidente do CRF-SP – Conselho Regional de Farmácia de São Paulo, os medicamentos mais utilizados sem prescrição entre a população brasileira são analgésicos, antitérmicos e anti- inflamatórios. “Quando usados para aliviar a dor de dente, alguns remédios podem mascarar sintomas importantes, dificultando o diagnóstico correto do problema bucal do paciente, impedindo, inclusive, a realização de um tratamento eficiente”, ressalta Pedro. Há remédios capazes de gerar redução ou supressão da produção e/ou liberação de saliva na boca. De acordo com Rodrigo, essa é uma das mais sérias consequências decorrentes da automedicação, pois a saliva é de extrema importância para a fonética, a digestão e a condução do bolo alimentar, além de regular o risco da incidência de cárie, devido aos efeitos antimicrobianos e imunizantes.

Alguns medicamentos líquidos apresentam sabor desagradável e, para minimizar isso, utilizam açúcar em suas composições, sobretudo os xaropes. O uso indiscriminado, somado ao descuido com a higiene bucal, leva ao aumento do risco de cárie, em virtude da grande viscosidade apresentada no remédio, que acaba por aderir amplamente aos tecidos da boca, aos dentes e gengivas, aumentando os processos inflamatórios orais e queda de PH.

Entre os remédios que comumente trazem danos à saúde bucal, Rodrigocita os ansiolíticos e drogas que auxiliam no controle de peso e combate à obesidade, além de alguns tipos de anti-hipertensivos que têm como efeito a xerostomia. “O uso de alguns tipos de drogas pode induzir à candidíase oral e também levar a problemas gastrintestinais e estomatite que, consequentemente, podem resultar na formação de aftas”, explica Pedro. Além disso, há medicamentos capazes de provocar reações inflamatórias da mucosa oral, úlcera, hiperplasia gengival e pigmentação.

Exemplos disso são os anticonvulsionantes, vasodilatadores e os imunossupressores. De acordo com Pedro, o único remédio que, comprovadamente, enfraquece e mancha os dentes é a tetraciclina, um antibiótico indicado principalmente para doenças respiratórias. Ela se incorpora à estrutura dentária durante o processo de calcificação, deixando os dentes inicialmente amarelados e depois mais escurecidos.

Entretanto, esses efeitos são observados apenas quando o medicamento é usado na metade da gravidez até os seis primeiros meses de vida e em crianças entre 7 e 8 anos, ambos períodos em que os dentes estão em formação. Ainda que nem todo medicamento exija receita médica, não significa que seu uso deva ser indiscriminado. É importante sempre seguir as orientações dadas pelos profissionais da saúde, seja ele médico, dentista ou farmacêutico, pois só assim é possível reduzir os efeitos colaterais e potencializar os benefícios reais de uma medicação adequada.

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